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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uma Doce Mentira (De Vrais Mensonges) - 2011


         A verdade é que eu adoro filmes franceses, nem sempre pelas histórias e tal, mas sim porque eu acho o francês uma língua muito bonita com uma fluência e ritmo diferente. Por isso e por outros motivos eu decidi assistir esse filme. Claro também porque nele a Audrey Tautou, conhecida mais por Amelie Poulain, atua e eu acho ela super fofa e bonita.
         Então, assim como outros filmes franceses o enredo não é nada complexo, mas de uma sensibilidade tão bacana, conseguindo trabalhar o romance e a comédia, de uma forma leve e ingênua, o que particularmente me interessa muito. 
       Émilie (Audrey) é sócia de um salão de cabeleleiros e certo dia recebe uma carta de amor de um admirador secreto, mas o que ela não sabe é que este trabalha no salão. Émilie tem a ideia de mandar essa mesma carta para a mãe, Maddy, que está passando por uma fase difícil após o marido tê-la deixado. Maddy fica encantada e começa a esperar por mais cartas, e a filha continua escrevendo. Um dia Émilie pede a Jean, o "admirador secreto", enviar uma das cartas, porém ele sem selo decidi deixar ele mesmo a carta na casa de Maddy, e é aí que a confusão começa, pois ela acha que Jean realmente a ama, e está apaixonado. Nesse contexto que aocntece o desenrolar da história.

Émilie e sua mãe, Maddy

     A fotografia do filme é simplista porém bem naturalista por ser um filme que se trata de um acontecimento que está inserido no cotidiano das personagens, ou seja, nada de extraordinário. O mais impressionante é que a trilha sonora não é enjoativa como em tantos outros filmes qe se passam na França, com todas aquelas sinfoninhas e blá blá blá.
        Os diálogos são de um senso de humor polido, que passa longe kilômetros eu diria de um besteirol. Claro que você não vai chorar de rir, mas é o sufciente para trazer risinho e bem estar.
        Agora o mais legal é o nome do filme, que no caso eu prefiro em português mesmo, muito raro isso acontecer. A mentira pode ser doce, assim como encantou Maddy, mas ela só funciona se for de uma maneira controlada. Assim que ela sai do controle, pode vir a causar grandes problemas. Mas ainda continuo achando que esse tipo de mentira, se bem usada pode ser bacana!

Maddy tentando seduzir Jean


sexta-feira, 9 de março de 2012

O Artista (The Artist) - 2011


     Depois de várias tentativas, eu assisti O Artista, ganhador de 5 estatuetas do Oscar não que isso signifique alguma coisa, incluindo o de melhor filme, o que achei muito justo e vou tentar explicar o porque.
       George é um renomado artista de filmes mudos que tem que lidar com o surgimento dos filmes falados. Enquanto isso uma de suas fãs, Peppy Miller,  entra no mundo do cinema como dançarina e logo consegue crescer como atriz de grandes filmes. Os dois meio que se apaixonam, mas George é casado, apesar de levar um péssimo casamento. Ele é "despedido" da produtora onde trabalhava por se negar a atuar em filmes falados e dessa maneira tenta fazer uma produção independente, e muda, que vira um fiasco e o individa. Ele chega a beira da loucura e morre. Pegadinha do malandro Vou deixar de ser spoiler...


       Em plena Era 3D, megaproduções com super efeitos especiais, eu me deparo com um filme em preto e branco e mudo. E o que eu achei disso? Excelente, o que prova que para fazer grandes clássicos é preciso de um bom roteiro e bons artistas. Porque o que acontece hoje em dia é que o enredo de um filme é tão ruim que é mascarado pelos efeitos visuais. Nesse filme não existiu essa possibilidade.
       Quanto ao roteiro e enredo, são  de uma simplicidade extrema, mas com cenas muito bem feitas, com umas sacadas e trocadilhos geniais e com ótimas cenas de comédia, com um humor ingênuo e leve.
       Quanto a trilha sonora, existem vários detalhes. Quando um filme é mudo e tem uma trilha sonora toda feita para ele, é de extrema importância que a música "fale" pelos atores, e isso é um dos grandes pontos do filme, a trilha é totalmente adaptada para as cenas. Porém, assim como minha amiga Verônica já havia me dito, a trilha sonora não é nada original, partindo do princípio que é um estilo que acontece desde os anos 20, e nesse ponto acho que não mereceu o Oscar por melhor trilha original. Uma coisa bacana de notar é quando são mostradas as cenas dentro de um cinema, que em alguns casos, lá na frente, pertinho da tela, está localizada uma orquestra que toca a trilha do filme. Podia ser assim até hoje! 
      A sensação de assistir um filme como esse no cinema é simplesmente inexplicável, me senti nos anos 20. Atentando para um detalhe que fez com que a obra realmente se assemelhasse com uma antiga, que é  o formato da tela não ser widescreen (16:9) e sim uma tela "tradicional", quadrada (1:1). Por ser preto e branco, os contrastes de luz e sombra são mais dramáticos e foram muito bem usados no filme.
      Falando sobre os atores, a primeira coisa que me vem a cabeça é o tanto que o filme é bem atuado. Imagino o quanto deve ter sido difícil se expressar sem poder falar, aliás, falar mas não ser ouvido. E isso me deixa um pouco na dúvida de o quanto os super atores conhecidos são bons, queria vê-los em filmes mudos. Jean Dujardin, George, mereceu o prêmio de melhor ator, ele foi fantástico e por vezes, realmente não sentia falta alguma que ele falasse. E sim, deveria ter um prêmio especial pro cachorrinho que atuou melhor que muitos atores que eu conheço. A atuação de Bérénice Bejo com Peppy também é muito boa, com todas as caras e bocas que ela faz durante o filme.

Bérénice Bejo como Peppy
Jean Dujardin como George e o cachorro
        Assim como falei na minha review sobre o filme Hugo, eu adoro filmes que tem como temática o próprio cinema, e esse em especial é muito parecido com um dos meus musicais preferidos, Cantando na Chuva. Eles tratam justamente da mudança do filme mudo para o falado. E por conta desse tema, por vezes o filme tem uma vibe meio Inception, você assistindo um filme, e na tela é mostrado um cinema onde um filme mudo é exibido e por aí vai. Juro que não uso drogas 
       Agora o que mais me chamou a atenção é a universalidade da produção, pois Jean é francês, Bérénice é argentina, mas pelo filme ser mudo, eles quebram a barreira da lógica linguística, ou seja qualquer bom ator de qualquer nacionalidade poderia estrelá-lo.
    São muitas coisas pra falar sobre o filme, impossível em um post curto. Devo ter esquecido de mil coisas. Mas enfim, só dou um conselho, assistam e please se possível o faça no cinema, porque tenho certeza que a sensação é totalmente diferente a não ser que você tenha uma televisão de tubo e tela quadrada em casa.. É isso aí!

P.S.: Quem conseguir descobrir em que cenas do filme eu tive referências com Peter Pan e Tintin ganha um prêmio!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris) - 2011


         Desde Vicky Cristina Barcelona que eu espero um bom filme do Woody Allen, e aqui está ele, Meia-noite em Paris.
          Gil, interpretado por Owen Wilson, é um escritor norte-americano que idolatra a cidade de Paris, e mais especificamente essa cidade no século 20. Certa dia ao badalar da meia noite um carro antigo aparece na rua e oferece carona a ele, porém ele viaja para os anos 20 e lá conhece muitos de seus ídolos, interage com eles, e nesse mundo paralelo até se apaixona por uma mulher. Quem quiser resenhas procure em outro blog.
          A história em si não é nada genial se ela fosse analisada sozinha. O que me deixou interessado no filme foram inúmeros outros detalhes. 
          Começando pelos créditos iniciais em que ao som de uma clássica música francesa, a câmera mostra ao espectador por qual motivo o protagonista é apaixonado por Paris. A cidade é sim maravilhosa, e não há como negar que hoje vejo detalhes que não via antes. A arquitetura deixou de ser plano de fundo para se tornar objeto de grande interesse para mim em qualquer filme. A fotografia é belíssima, mostrando as feirinhas de antiguidades espalhadas pelos becos de Paris, seus belíssimos prédios antigos, duas aparições da Catedral de Notre Dame (mesmo que só a parte dos fundos dela), e claro o Rio Sena que corta a cidade e dá um charme a mais à ela.

Gil e o Rio Sena

       Os diálogos bem construídos, que sempre foram uma marca do diretor, estão mais bem elaborados do que nunca. Em cada conversa com Picasso, Hemingway, Gertrude Stein, a personalidade de cada um, e a relação entre essas celebridades da Arte são mostradas de forma natural e fluida, em nenhum momento parcendo forçada. É quase como ver o que sempre estudamos nas aulas de Arte na escola. A parte que fica mais evidente, e a que eu mais gostei, sou até suspeito em falar, foi quando Gil encontra Salvador Dali. Quando vi aquele homem com aquele bigodinho, sabia que no mínimo uma conversa muito louca estava por vir. Não fui decepcionado, Dali sempre com sua loucura e maneira própria de ver a realidade fica muito bem explicitada no filme. E nesse momento o filme tem até um tom de comédia, porque o protagonista argumenta sobre sua dificuldade de entender como estar no presente e no passado ao mesmo, e nesse grupo dos surrealistas, um simplesmente responde: "Eu compreendo."

Salvador Dalí
        Mas agora o que mais me chamou a atenção foi um diálogo que Gil tem com uma das amantes de Pablo Picasso, Adriana. Eles simplesmente discutem um assunto muito interessante e que por muitas vezes me pego pensando nisso. É o simples fato de saber qual foi a melhor época, ou a época de ouro. Para Gil, que vive nos anos tempos atuais, os anos 20 é a Época de Ouro. E para Adriana que viveu nos anos 20, a Belle Époque, final do século 19, é a Época de Ouro, assim como para aqueles que viveram nesta época, o Renascimento foi o auge, e assim por diante. 

Adriana e Gil
        Não me considero apto a falar muito mais do que isso porque tenho certeza que não consegui captar metade das referências citadas no filme, pois afinal nem sou tão culto assim para reconhecer tantos escritores, pintores e poetas daquela época. Mas considero o filme, de uma notável sensibilidade em perceber o quanto a "nossa" época pode ter a ver com as outras, e o quanto é interessante estudar sobre autores e artistas de outros tempos e tentar entendar qual era a visão de mundo deles.